Como aprendi Inglês sem perceber
Há pouco mais de um ano que eu estou fazendo aulas de inglês. Sim, faço aulas de inglês regularmente às 13h, toda segunda-feira. Não, não são aulas do tipo online, gravadas ou usando algum aplicativo como Duolingo, Memrise, ou similares.
Eu realmente faço aulas presenciais de inglês, com a Sophia Taylor, uma jovem missionária americana que está aqui no Brasil há quase dois anos servindo na Associação Restauração, a ONG cristã onde trabalho em período integral desde 2011.
O que pouca gente sabe é que, quando eu comecei a fazer aulas de inglês com a Sophia, eu já falava inglês. Na verdade, parte do meu trabalho era fazer tradução (muitas vezes, simultânea!) de reuniões, palestras, cultos, etc. Além disso, antes das aulas de inglês que eu faço atualmente, eu também já dei aulas de inglês por pouco mais de dois anos para alunos de todos os níveis, desde iniciantes a avançados, incluindo aulas de conversação.
Além disso, poucas semanas antes de começar a fazer aulas formais de inglês, por um período de aproximadamente 6 meses, eu dei aulas de Português para estrangeiros! A turma para a qual eu dava aulas era composta por pessoas de diferentes nacionalidades: Escócia, Estados Unidos e Holanda. O único idioma que tínhamos em comum era o inglês.
Mas como eu consegui dar aulas de conversação e fazer tradução simultânea sem nunca ter feito aulas regulares de inglês antes?
Toda vez que alguém me perguntava como eu aprendi a falar inglês, eu precisava parar por alguns segundos para pensar antes de dizer que eu tinha aprendido sozinho. Isso porque eu não acho que eu aprendi realmente sozinho.
Minha primeira lembrança aprendendo inglês foi na escola. Eu estudei em escola pública e, apesar de ter tido um ótima professora de inglês (ela era muito dedicada, mas a turma não ajudava), ao concluir o Ensino Médio, eu não lembro de ter aprendido muita coisa além do verbo "To Be" e "the book is on the table" (quem já fez pelo menos uma aula de inglês na vida sabe do que eu estou falando).
Outra lembrança que tenho é de quando meus pais me inscreveram em um curso de inglês. Eu tinha cerca de 14 ou 15 anos de idade. O nome da escola era Star Bit (ou algo assim). Eu fui à primeira aula e detestei. A professora ficava conversando com algumas alunas e não focava na aula. Então, eu não voltei para a segunda aula.
Minha última tentativa foi na escola RedSeed Idiomas, fundada a partir da Associação Restauração, e que eu tive a alegria de participar, pelo menos um pouco, da fase de planejamento e inauguração.
Lembro que eu era recém-casado quando eu fiz a minha inscrição. Eu tinha uma rotina muito cheia e não consegui me dedicar ao curso. No único semestre do qual fiz parte, eu faltei em praticamente todas as aulas e não fiz nenhuma das lições propostas. Mas, no final do semestre, eu fui no dia da prova e, nesse momento, eu percebi algo que chamou minha atenção.
Eu comecei a fazer a prova e notei que estava com certa facilidade para responder às perguntas. Lembro de ter terminado a prova muito rápido, respondendo todas as perguntas corretamente.
Lembro que, naquele dia, eu me perguntei: " – Como eu consegui fazer essa prova com tanta facilidade se eu faltei em quase todas as aulas e não fiz nenhuma lição ou trabalho que foram propostos?"
Isso foi em 2014 (ou 2015, não lembro). Depois daquele dia, eu só voltei a fazer aulas de inglês de novo com a Sophia, minha atual professora, no começo de 2025.
A grande pergunta é: o que eu tinha feito para aprender o conteúdo da prova sem ter estudado? E, de novo: entre 2015 e 2025, como eu consegui dar aulas de inglês para todos os níveis e ainda trabalhar como tradutor, fazendo tradução simultânea e consecutiva, e dar aulas de Português para estrangeiros de diferentes países?
Não, eu não sou nenhum "gênio" ou possuo Q.I. acima da média. Longe disso (muito longe mesmo). Para aprender inglês, eu fiz algo bem "simples" até. Algo que você – sim, você que está lendo – já fez para aprender a sua língua materna. Eu resumiria em apenas uma palavra: IMERSÃO.
Pense comigo. Se, assim como eu, sua língua materna é o Português, como você responderia a alguém que te perguntasse como você aprendeu a falar Português? Provavelmente você falaria sobre ter aprendido com seus pais, ou que por ter ouvido muito acabou aprendendo, ou algo assim. Basicamente, tudo se resume à imersão.
Foi o que eu fiz.
Quando eu era criança, eu jogava video-game com o meu irmão e meus amigos e sempre tinha um jogo de estratégia que todos gostavam de jogar. Mas os jogos eram todos em inglês e não tinha como avançar no jogo se não fizéssemos a tradução de alguns termos. Era comum jogarmos video-game com um dicionário de inglês-português ao nosso lado para consultas rápidas.
Eu lembro também que, durante minha adolescência, eu ouvia muitas músicas em inglês. Eu sempre pegava as que eu mais gostava, imprimia as letras, e ficava com um dicionário impresso (sim, impresso!) traduzindo palavra por palavra. Às vezes, em algum lugar do papel, eu acrescentava traduções ou significados alternativos para algumas palavras, sempre com aplicações em frases como exemplos.
Filmes e séries de TV também foram outro recurso. Eu sempre assistia legendado. Raramente eu assistia algo dublado. Na época dos DVDs de filmes (você que é da geração Netflix não sabe do que estou falando kkkk), eu escolhia algum que eu já tinha assistido, selecionava uma cena específica, e assistia aquela mesma cena algumas vezes. Sempre alternando entre legendado e sem legenda, mas sempre com áudio original em inglês.
É impressionante como jogar video-game na infância, ouvir músicas, e assistir filmes e séries de TV me deram muito vocabulário em inglês sem que eu percebesse. Eu só comecei a perceber quando eu comecei a frequentar a Igreja Comunidade Restauração, que foi plantada pelos fundadores da Associação Restauração.
A Associação Restauração, além de realizar um trabalho evangelístico e de prevenção social com crianças de comunidades carentes, é também um lugar que desenvolve e atrai muitos missionários de vários lugares do mundo. Antes, a grande maioria dos estrangeiros que vinham pra cá era dos Estados Unidos. Hoje, é gente do mundo todo!
Quando comecei a ter mais contato com pessoas de outros países, foi inevitável eu começar a arriscar usar o vocabulário que eu já conhecia. Entre muitos, muitos erros mesmo, e alguns pouquíssimos acertos, eu sempre conseguia me comunicar de maneira razoável. Isso foi um incentivo!
Eu comecei a consumir cada vez mais conteúdos em inglês para aprender vocabulário, expressões e palavras-chave que me ajudassem a entender melhor os missionários e falar bem o suficiente para ser melhor entendido por eles também. Daí pra frente foi só desenvolvimento e aprendizado aplicado diretamente com estrangeiros nativos.
Algum tempo depois, eu recebi o convite para dar aulas de inglês. Isso me obrigou (no bom sentido) a estudar mais gramática. Mais algum tempo se passa, e eu começo a ajudar nas traduções. Primeiro, em pequenas reuniões informais e conversas do dia a dia. Depois, em cultos da igreja, palestras e reuniões mais formais.
Até que a Sophia Taylor chegou. Como nós que servimos na Associação Restauração precisamos lidar com muitos estrangeiros, todos fomos encorajados a aprender inglês, e a Sophia tem se dedicado ao ensino com excelência!
Hoje, eu faço aulas de inglês porque eu não sei tudo. Assim como não sei tudo de Português. Se ainda cometo erros ao falar e escrever em Português (está aqui este Blog que não me deixa mentir rsrs), imagina só em Inglês! Mas, é como diz o provérbio popular:
Ninguém sabe tanto que não possa aprender nem tão pouco que não possa ensinar.
Eu escrevi sobre isso para encorajar você que sempre quis aprender Inglês, ou qualquer outro idioma, e, talvez, já tenha até tentado, mas acabou desistindo. Espero que você faça a inscrição naquele curso de idiomas ou, se não tiver recursos, busque por opções gratuitas que já estão à sua disposição na internet.
Você vai dizer hoje que um dia você vai começar a aprender um novo idioma ou você vai dizer que hoje é o seu dia 1 do seu aprendizado de um novo idioma?
A escolha é sua.