Blog do Michael

O poder de um lar com menos telas

"Você já percebeu como ficou difícil terminar um livro, assistir a um filme sem pegar no celular, ou simplesmente ficar alguns minutos sem olhar para uma tela?"

Essa é a pergunta que abre o vídeo Como as Telas Estão Destruindo Uma Geração Inteira.

Esse vídeo me trouxe reflexões a cerca da maneira como eu e minha família temos usado as telas em nosso dia a dia e também me fez perceber que as minhas escolhas com relação a isso nos últimos anos têm sido muito saudáveis.

Eu fico perplexo quando olho ao redor e vejo as pessoas tão presas no celular.

Recentemente, eu consegui alguns dias de folga do trabalho e aproveitei para fazer uma viagem em família. Eu, minha esposa e minhas filhas ficamos hospedados em um hotel fazenda no interior do estado onde moramos.

Só teve um "problema": Choveu durante quase toda a nossa estadia. Uns dias mais, outros menos, mas o fato é que choveu bastante.

A verdade é que, apesar da chuva constante, passar esse tempo em família foi uma bênção! O hotel tinha várias atividades para crianças pequenas e era muito aconchegante também. Eu não me lembro da última vez que brinquei tanto com as minhas filhas tantos dias seguidos.

Contudo, nem todos estavam felizes. Eu tive a oportunidade de conversar com outros hóspedes e tinha um casal que chamou minha atenção. Eles estavam lá com o filho pequeno e sempre que nos encontrávamos no restaurante os três estavam à mesa com o celular na mão.

Quando nos encontramos na brinquedoteca do hotel, eles vieram falar comigo e não conseguiam fazer nada a não ser reclamar do tempo chuvoso, da televisão do quarto que não tinha canais de desenhos que o filho gostava, e coisas do tipo.

Eu até tentei encorajá-los a aproveitar a oportunidade para ter um tempo de qualidade em família, mas parece que o excesso de tela os impedia de fazer isso. Eles estavam o tempo todo no celular, inclusive a criança, que não parecia ter mais de 2 anos de idade!

No meu penúltimo dia hospedado lá, no horário do almoço, enquanto eu me servia no buffet do restaurante, essa família estava lá e, enquanto a esposa e o filho ficavam no celular, o rapaz foi se servir também. Quando me viu, ele disparou: "Não aguento mais! Não vejo a hora de ir embora!"

Eu senti tanto por eles. Eles não faziam ideia do tempo que estavam desperdiçando. Não perceberam o que as telas e o desejo de ficar nelas estavam tirando deles.

Depois disso, eu não os vi mais e por fim chegou o dia de ir embora. Mas a reflexão ficou comigo: será que as pessoas estão realmente desaprendendo a ficar entediadas?

Desde que minha primeira filha nasceu, há quase 4 anos, minha esposa e eu tomamos a decisão de diminuir drasticamente o uso de telas dentro de casa. Aos poucos isso foi se tornando natural, até chegar ao ponto de sequer lembrar que temos televisão em casa, por exemplo.

Acabei desenvolvendo o costume de sempre chegar em casa e já deixar o celular longe de mim. A partir daquele momento a minha atenção deve ser dedicada à minha família e quero que minhas filhas se lembrem do papai brincando com elas, lendo historinhas, conversando à mesa do jantar, essas coisas.

Pra você ter uma ideia, minha filha mais velha tem 3 anos e a mais nova tem 1 ano e elas nunca viram a televisão de casa ligada! Pode parecer exagero, mas quando o assunto é fazer o que é melhor para o desenvolvimento delas, é preciso ser intencional!

Lembro de uma vez quando contei a um amigo que raramente ligamos a televisão em casa e que não temos o costume de usar o celular também, aí ele me perguntou confuso: "Mas o que vocês fazem então?" Minha resposta foi simples: "Nós passamos tempo juntos."

Nada vale mais do que isso! Presença é o melhor presente que se pode dar à família. Quando as pessoas estão desconectadas das telas, elas podem se conectar umas às outras.

E foi exatamente o que aconteceu no hotel fazenda. Sem televisão, sem celular e com o clima chuvoso, não tivemos escolha a não ser brincar, conversar, rir e desfrutar da presença um do outro. Foi maravilhoso! Eu pude perceber o valor de um tempo que não volta.

Teve uma tarde, logo depois do almoço, que a Helena, minha filha mais velha, sentou-se em uma cadeira na varanda do nosso quarto do hotel e, enquanto comia um pãozinho, ficou ali, por vários minutos observando a chuva caindo nas árvores. Quando eu me aproximei, ela disse: "Olha, papai. É tão bonito, né?"

A Cecília, a minha caçula de 1 aninho, consegue ficar sentadinha na cadeirinha do carro ou brincando com seus brinquedinhos ou com um livrinho na mão e dando risadas por tempo suficiente para impressionar qualquer pessoa que esteja observando!

Estou vendo na prática como a ausência de telas proporciona benefícios maravilhosos para as crianças... E para os adultos também! Eu e minha esposa, como nos tempos de namoro, costumamos ficar horas conversando. Essa é uma das coisas que mais gostamos de fazer juntos.

É claro que usamos dispositivos com telas. Estou fazendo isso agora mesmo. O que estou querendo dizer é que precisamos priorizar aquilo que de fato é prioritário. E o Instagram ou TikTok são a prova de que falta de tempo não é o motivo para não se dedicar à família ou investir tempo em algo ou alguém que você ama.

Tenho aprendido que o tédio faz parte da vida... e tudo bem. Isso não é ruim. O tédio é uma oportunidade para que você perceba quão preciosa é a pessoa que está diante de você agora mesmo. O tédio é uma oportunidade para você passar um tempo consigo e, principalmente, com Deus.

Espero que você também busque lidar com o tédio e as telas com sabedoria e aproveitar todas as oportunidades que Deus te dá para viver uma vida plena e sem as distrações que querem tirar o seu foco de quem realmente importa.

Lembre-se que a vida real acontece longe das telas.